
Meu avô Pedro tinha um estabelecimento na primeiro quadra do calçadão em Santa maria, que vendia revistas, tabacaria e bilhetes de loteria. Eu adora ir lá, pois tinha paixão por gibis, mas existia um Cofre grande bem antigo, nos fundos da loja, que me intrigava, uma vez ao visitá-lo resolvi abrí-lo, acho que impulsionado pelos filmes de assalto a banco e também por curiosidade, imitei um exímio arrombador de cofres, colocando-me em uma posição de escuta contra a porta para sentir se realmente era possível escutar os estalos provocados pelo dispositivo interno de chaveamento, para minha surpresa era possível identificar os estalos e em questão de poucos minutos consegui abrir o cofre, corri de encontro ao meu avô para mostrar a façanha, ele naquele momento ficou surpreso, mas não demonstrou muito pois era uma pessoa bem séria e de poucas palavras, olhou para mim foi até as prateleiras pegou um gibi e presenteou-me com aquele troféu, as únicas palavras que me disse foram:"este é um segredo que ficará entre nós". Não sei se o deixei contente ou preocupado pelo meu pequeno delito, mas pelo menos ganhei o meu troféu e fui para casa com meus pais e nunca contei nada para eles, pelo menos até hoje.
2 comentários:
Olá, Daniel!
Bem vistas as coisas, ganharam os dois. O vô, porque ficou a saber as artimanhas dos ladrões e o neto que, para além do justo prémio, ficou a saber que nem é nada difícil arrombar cofres.
Por isso, não admira haver tantos cofres arrombados...
Parabéns. Texto engraçadíssimo.
Abraços.
Olá, Daniel...sabe que nesse fim de semana meus avós comemoraram 50 anos de casamento e nessa euforia de lembranças, lembrei de certa vez ajudar meu avô a capinar a lavoura de milho..eu devia ter uns 5, 6 anos..e acabei por cortar os pés de milhos em vez do capim. Esperei o vô virar um pouquinho e plantei de novo o pé de milho na esperança de ele nada ter visto, hoje ele lembra e me conta que na verdade viu e deu muitas risadas sozinho. Parabéns pelo blog!!
Postar um comentário